23/12/2009

Omertà in Ogygia

Gosto de alguns autores e blogueiros "briguentos", mas só valorizo aqueles que entendem a elegância mafiosa da habilidade de... understate. Se o cara não sabe fazer isso, é só mais um vulgarista que não sabe ficar quieto quando necessário.

22/12/2009

Boutade VI

É verdade, sou um ninguém, mas um ninguém pouco conhecido.

17/12/2009

As Prometheus is my witness

No futuro quase próximo, a palavra moderno será um insulto, uma alcunha para as castas mais indignas da tecnocracia. Será um termo de baixo calão que os pundits e os autores terão receio de digitar, e as crianças rebeldes resmungarão ao jogarem alguma versão remota de FPS. Pós-moderno será ainda pior: indizível e punível com pena de ostracismo tecnológico.

Porque ser moderno é um anacronismo, uma falta de consciência histórica, um chute nas canelas do Tempo. E logo logo esse velho babão esmagará a modernidade com o calcanhar.

15/12/2009

Ohrwurm, oder Herzwurm

« Aujourd'hui, ce qui ne vaut pas la peine d'être dit, on le chante. »
— Beaumarchais

A música perde o sabor quando se torna um veículo exclusivo para as emoções dos músicos, que geralmente são ridículas. Não que os músicos devem ser máquinas virtuosas de técnica musical e abdicar completamente às emoções, pois elas cumprem um papel. Mas o pior tipo de música, em qualquer gênero, é produzido quando os músicos se rendem às emoções para se desfazerem numa catarse pessoal.

O mundo ainda não criou um músico que saberia usar as emoções o mínimo possível e mesmo assim produzir uma música decente.

10/12/2009

Vernáculo for Dummies

http://pt.wikipedia.org/wiki/Diogo_C%C3%A3o

Vejam a foto da Pedra de Ielala.

Transcrição:

AQU CHEGARAM OS NAVIOS DO ESCLARECIDO REY DOM JOAM HOSSGº DE PORTUGALLI D. CAM Pº ANS Pº DA COSTA.

Tradução:

Aqui chegaram os navios do esclarecido rei Dom João o Segundo de Portugal: Diogo Cão, Pedro Anes, Pedro da Costa.


Seriam estas tendências cuneiformes
de origem céltica ou mourisca?

07/12/2009

Ruminação escatológica da madrugada.

As pessoas não entendem minha aversão pelo ato de cagar. Sempre dizem: ué, é natural. Claro. Morrer também. O fato de ser natural não me obriga a gostar. Mas cagar é um ato humilhante, degradante: um insulto da natureza, um soco nas entranhas. Agachar-se e forçar a merda pra fora... não há ato mais imundo.

Aldous Huxley escreveu de Jonathan Swift:

“Swift's greatness lies in the intensity, the almost insane violence of that ‘hatred of the bowels’ which is the essence of his misanthropy and underlies the whole of his work.”

Também tenho esse hatred of the bowels: realmente odeio minhas próprias entranhas, e não, não vejo nada de mórbido nisso. Ao contrário, considero um sinal de pureza, sanidade, propreté.

Digo mais. O ato de cagar deve ter sido uma consequência da Queda, para nos lembrar de nossa mortalidade, nossa condição impura e indigna. Quem acredita no Paraíso certamente não pode acreditar que teremos de fazer as necessidades por toda a vida eterna. Seria um verdadeiro inferno.

03/12/2009

Cuando sabemos que soñamos...

Sonhei que Borges veio me visitar quando eu ainda morava com meus pais. Estávamos no meu quarto conversando em inglês, e minha mãe nos chamou para jantar. Tive que guiá-lo até o banheiro e ajudá-lo a lavar as mãos, pois tinha artrite. E acordei.

É oficial. Borges é meu avô em espírito.