10/02/2010

Common Nonsense

« Pour nous aider, nous avions bien une masse prodigieuse d'articles, de mémoires, de livres, de publications, d'enquêtes, les uns d'histoire pure, les autres, non moins intéressants, écrits par nos voisins, les ethnographes, les géographes, les botanistes, les géologues, les technologues ... Mais faut-il le dire, au risque de paraître ingrat à l'égard de nos devanciers, cette masse de publications écrase le chercheur comme une pluie de cendres. »
— Fernand Braudel, La Méditerranée et le monde méditerranéen à l'époque de Philippe II

Ergodic, ekpyrotic.

Fitter, happier.

05/02/2010

Dai nemici mi guardo io, dagli amici mi guardi Dio.

Quase ninguém elogia virtudes hoje em dia. Elogiam filmes, livros, pessoas, até vícios, mas não virtudes. Por que? Porque virtudes exigem algo mais do que palavras bonitas de quem elogia. Viver consistentemente uma virtude é mais difícil e louvável do que escrever um clássico eterno.

A virtude à qual me dedico a viver é o respeito. Para os poucos que me conhecem, isso pode parecer estranho. Tenho muito desprezo acumulado, tanto que às vezes me torno desprezível. Mas o desprezo não é uma conditio sine qua non. Quem despreza, no fundo, quer respeitar, quer que o objeto desprezado se torne respeitável. Mesmo o desprezo tem boas intenções, mas de boas intenções o inferno está cheio.

Demorei tempo demais para entender que sem auto-respeito nada nunca seria feito. E o verdadeiro auto-respeito é muito mais do que uma auto-estima incondicional e estúpida. Observar-se a si mesmo com desapego, ter a coragem de reconhecer todas as falhas e defeitos, e respeitar a si mesmo apesar de tudo... isso é auto-respeito. O resto é só discurso de auto-ajuda para quem quer validar um amor-próprio cego.

Respeitar os outros é outro assunto. Não é necessariamente mais difícil, só falta um estímulo. E o melhor estímulo é ser respeitado, fazer-se respeitar. Pouco importa se as pessoas não gostam da minha personalidade, ou se discordam do que digo. Só uma coisa importa: se as pessoas me respeitam. Acima de tudo, se as pessoas que eu respeito me respeitam.

E as pessoas que não respeito? Oderint dum metuant; è molto più sicuro essere temuto che amato. Intimidar as pessoas é mais fácil do que parece. Basta ser quieto, sério, e franzir o cenho de vez em quando. Still waters run deep. E se não consigo respeitar alguém, resta sentir pena antes de desprezo. A piedade pode ser uma virtude mesquinha em alguns casos, mas a maioria das pessoas é digna de pena. Desprezar pessoas pobres, feias ou ignorantes é como matar moscas com um canhão. O desprezo, como o ódio, é um licor precioso, exclusivo para ocasiões especiais.

27/01/2010

Du mußt Herr Hyde werden.

While the self remains the favourite subject of anyone with an intact frontal lobe, it is nonetheless the ultimate banality. To be introspective is as interesting as to be an ostrich. The navel is not an abyss, but we may lose ourselves in't, Horatio. And when you gaze into the navel, it bites your head off. I'm no exception, but I harbour quite an acute sense of ridicule, and I know that hell is in the details. I endeavour to be as self-effacing as possible, but can't help it when the spleen cries for release.

And that is where it all begins. I really wish I could disappear, vanish... and at the same time would that I could be everywhere. The present is never enough; I'd rather be a nonentity in Ephesus than a sun-king in Desterro. The future is the only way, and forward we go, Manichaean soldiers. The nether regions speak: thou art an amoralist, dumbass. Whereas the grey zones, eyes downcast: be a man, for Heaven's sake. What a piece of work and piece of shit is man; he delights me not. Nor woman either, but the amoralist doth crave to devour her flesh and her soul.

Welcome to the House of Asterion. All may enter: man, beast, woman, child and nonentity. Truly-truly I say unto you: he is indeed stark mad, hubristic and an enemy to his fellow man, but a jolly good chap and a magnificent bastard to boot; you should see him dance the polka. He is human and needs to be loved just like everybody else does, but—there's the rub—shame on him!—he's ashamed of it, ashamed to be human, and there's not a fig leaf in the entire God-damned universe wide enough to cover his shame. But he doesn't give a fig, does he? Nooo, he thinks he's too good to be good, the bloody fool—he's an oxy-moron.

Great Scott, what is your point, Henry? My point, sir, is that there is no point. Life goes on, and he keeps pushing his boulder uphill like the good-for-nothing nihilarian that he is. He fills his mind with things, and calls it an occupation. He can dream, yet is p'wned by reality. He says he wants to be a real man: take a wife, breed, spend time with his family and die with dignity... yet all he ever does is play with himself and his fiendish females. If only he had some shred of innocence, but he is utterly corrupt and devious. Alone in the ranks of mankind, he is impure.

I'm afraid there is no redemption, gentlemen. He grows stronger everyday. Given time, Edward the bastard shall top the legitimate.

22/01/2010

Brieview I


Um monumento de pulp sci-fi; um obelisco bombástico coberto de graffiti supraliminares e trepadeiras mutantes.


PS: Geralmente eu não gosto de ler um autor que morreu há pouco tempo (up yours, Derrida & Mailer), mas abro uma exceção para Ballard. Li em 2008 uma coleção de contos, The Disaster Area, que me virou a cabeça do avesso, mas não procurei outros livros imediatamente. No início de 2009, um amigo canadense me disse que um conto que escrevi tem um quê de Ballardian, e não foi intencional. Pouco depois, Ballard morreu, e a quantidade e qualidade de tributos escritos em sua homenagem me chamou a atenção. Passei a procurar outros livros, lembrando que Império do Sol era meu filme favorito na infância, grande clássico da Sessão da Tarde. Seja como for, não vejo uma hype em torno de Ballard, e isso alivia minha consciência de leitor escrupuloso.

18/01/2010

Ohrwurm III

16/01/2010

The Good, the Bad and the Magnificent Bastard

"Todavia, tenho a ligeira impressão de que somos criadas para gostar publicamente dos bons moços e adorar secretamente um canalha."
— Resposta furtada de um formspring

Convém. Publicamente eu sou Dr Jekyll, e secretamente, Mr Hyde.

14/01/2010

Too goode to be tweet'd.

Hoje o big shot lá usou a palavra esdrúxulo num contexto não-linguístico. Ganhou pontos no meu respeito.

Às vezes esqueço o quanto gosto de Miller's Crossing.

Observo em silêncio todos e tudo que se passa nos círculos highbrow de SP e RS. Sou um espião egghead.

By Jove, como a Rachel Weisz está decente no cabeçalho do E Deus criou a Mulher.

Sonho com um mundo em que as pessoas teriam mais medo do ridículo do que do sofrimento e da morte.

Comecei a ler Vermilion Sands e agora estou com vontade de esculpir nuvens.